Desde que o Miguel nasceu, adoptamos um hábito que eu sempre achei estranhíssimo entre pessoas que têm filhos. Falamos através do Miguel, diz à Mamã isto, ou então, tas a ver Miguel, o Papá fez asneira. Pior ainda, damos voz ao ser de 4 meses e tentamos falar por ele, o preocupante é que conseguimos descer a um nível de infantilidade que se ele pudesse mesmo falar, talvez nos mandasse ganhar juízo.
A hora do dia, ou melhor, da noite, em que voltamos a ser adultos juntos é quando nos deitamos… cuidado com o pensamento, seus marotos… voltamos a ser adultos e tentamos, quando ainda temos 5 min de bateria, falar sobre a vida e o futuro. Sim, é verdade, sou eu que começo e geralmente a queixar-me de alguma coisa, não nego! E uma noite destas, a conversa extrapolou o habitual, foram momentos de crise existencial, o que fomos, o que somos e aquilo que queremos vir a ser. Chegamos á conclusão que, talvez isto de emigrar não seja para nós! Pronto, tá dito!
Isto é giro, é limpinho, toda a gente é muito educada, o ordenado não é mau, a casa é engraçada, mas, há muitos mas. Podia escrever 50 parágrafos do que nos está a fazer ponderar regressar, mas posso resumi-lo em, Solidão, Saudade e falta de Sol. Eu sei que sol e companhia não compram botas de 150€ e muito mais grave, não põem comida na mesa, tenho consciência disso.
Fogo, Filipa, tanto paleio, para dizer que queres voltar, isso nós já sabemos, não falas aqui de outra coisa, pensam vocês. Onde eu quero chegar é que esse dia pode estar mais próximo do que se esperava! Para já, o que eu pretendo com isto, que já vai longo, é que digam de vossa justiça:
That’s the question!






