10 September 2008

Uma encomenda para...

Isto de trabalhar em part-time tem as suas vantagens, por exemplo, ficar em casa a vegetar! Passei a manha a fazer nada, a tarde a fazer nadinha e a noite a fazer nenhum…

Logo de manhãzinha ao ouvir-se o despertador tocar e saber que se pode ficar a dormir… hummmm. Por falar nisso, o despertador aqui de casa é o telemóvel do Luis e imaginem lá qual é o som que me tem feito acordar todos os dias? Um Galo… cócórócocóooooooo… Cócórócocóoo… Daqueles com um travo rouco na goela, se soubessem as vezes que eu já sonhei que estava a torcer o pescoço ao animal… bem, mas continuando, fiquei por casa, já devolvemos o jogo ao clube de vídeo, por isso, resta-me o blog, e o tema de hoje é a entrega de uma encomenda.
Estava eu a varrer as escadas do prédio e tocam à campainha, dling dlong, pensei, serão os Testemunhas de Jeová outra vez? Já sei… como da última vez não me viram a cara, vou encarnar a personagem “mulher-a-dias” da Frau Sá Couto, sim, já que estou de vassoura na mão! e desta vez nem inglês, nem alemão, nem português, nada! Depois de divagar… lá enchi os pulmões de ar e coragem e fui levantar o intercomunicador… “Deutsch Post”!!! O carteiro tinha uma encomenda para o meu marido, um envelopezinho que o meu querido cunhado nos enviou com mais CDs, finalmente chegou o bendito envelope! O homem torceu-se todo para dizer o nome Guimarães, só faltou eu rir-me na cara dele, como as crianças, “Tás a ver é difícil, não é? Ora tenta lá falar português a ver se consegues?” eles não fazem ideia de como ler o “ães” e então, a Cidade onde nasceu Portugal, para os alemães é: Gú-imarais

Mas até aqui tudo bem, surge então o problema do costume: o senhor não falava inglês e quanto a mim não preciso de repetir o mesmo assunto, pois não? A grande questão, e finalmente o conteúdo deste post, foi que o homem não me queria entregar o envelope, só perguntava se o Luís estava em casa (isso eu percebi), ainda lhe tentei dizer que era a esposa do Herr Gu-imarais, mas como não temos o mesmo sobrenome ele continuava a olhar para mim e para a vassoura com cara de caso! No meu alemão paupérrimo, tentei dizer que “aus Portugal, kein name von mein mann” depois de termos estado os dois a puxar pelo envelope, enquanto eu imaginava uma luta de galos, lá chegamos a um acordo e assinei o papel, desconfiadinho o homem… ainda ficou a olhar para mim e para o papel uns bons minutos…
Este paleio todo para chegar à conclusão que se eu tivesse adoptado o sobrenome do meu cara-metade a minha vida por aqui poderia estar a ser bem mais simples.

No emprego: Filipa, não encontro o teu email, não há nenhuma Guimarães, Filipa.
No Banco: Mas como são casados? Não têm o mesmo nome! Tem a certidão de casamento?

Dai-me paciência…

3 comments:

Amélia said...

Experimenta ir ao médico e o dentista com o Luís e depois sozinha. Estes até colocam na tua ficha que és casada com Herr Guimarães! para não haver dúvidas que são da mesma família:)
Mas nestas alturas até dá gosto termos mantido o nosso nome!lolololol

Anonymous said...

Olá Estrunfa,

Ora bem, estes alemães até são bem atrasados....onde já se viu a mulher não tem que ter obrigatorimaente o nome do seu Herr!!!!!Será na "Germânia" as leis são diferentes das portugueses...ou eles conseguem ser mais quadrados que os portugueses!!!!É o que me tem parecido estes últimos tempos...se bem desolvidos numas coisas, noutros valha-me deus....estão também a precisar de um grande empurrão...."dai-me paciência".

Hum....sorte a da presuntinha ;D não terá o mesmo problema!!!!

Mas que foste convicente foste porque o "home" lá deixou o pacotito.....boa estrunfa!!!!!

Joka grande, P.

Liliana said...

Estou-te mesmo a imaginar a puxar o envelope dum lado e o carteiro doutro.lol
Mas são este tipo de situações que caracterizam e "caricaturizam" a vida num país diferente e com uma língua desconhecida...O melhor é mesmo levar na descontra...lol
Beijos